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Atlântida

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Várias são as opiniões sobre a existência ou não da Atlântida [ ou Atlantis; em gr. Atlantís ], e mesmo os que nela acreditam divergem muito quanto a sua localização e o modo como desapareceu. Nada se achou, mas há quem ainda continue pesquisar e teorizar a seu respeito, inclusive o triângulo formado pelos arquipélagos dos Açores, da Madeira e das Canárias tenha feito parte da mítica Atlântica. (Dicionário da Mitologia Grega e Romana, Pierre Grimal, Difusão Cultural, pág. 54; Revista da Marinha Portuguesa, Outubro de 1979, pág. 307; Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Vol. III, pág. 657) Outro dado revelador é que, com a exceção das Canárias e das ilhas de Santa Helena, Ascensão e Tristão da Cunha, toda a Crista Média Atlântica (CMA) tem estado submersa por pelo menos 60 milhões de anos.

Civilização Minóica Editar

A primeira referência sobre a Atlântida aparece em dois célebres diálogos de Platão, filósofo ateniense que viveu no Século IV AC. O relato de Platão situa a Atlântida além do Estreito de Gibraltar, à saída do Mar Mediterrâneo, ou seja, no Oceano Atlântico. Segundo Platão, da Atlântida levava-se cinco dias à Etiópia Ocidental e ao promontório chamado Corno Ocidental [ Somália ? ]. Plínio, historiador do Século I, mostra dúvidas quanto a existência de terras no Oceano Atlântico [ do gr. Atlantikós, "de Atlas" ] e não a considera como desaparecida. (História Natural, Vol. VI, pág. 199) Existem várias as analogias entre Civilização Minóica na Ilha de Creta ( Kaftor ) e o relato da Atlântida mítica. "Durante um dia e uma noite horríveis, todo seu exército foi tragado de um golpe pela terra, e ainda a Ilha de Atlântida afundou no mar [ por líquidificação do solo? ]e desapareceu". (Timeu, Platão)

A Civilização Minóica foi destruída pelas erupção vulcânica gigantesca na Ilha de Santorini [ que os gregos chamam de Tera ]. Esta foi 10 vezes mais forte que erupção vulcânica do Cracatoa, gerando diversos tsunamis [ ondas gigantes ], que se calcula terem sido 10. Esta erupção terá ocorrido por volta de 1470 / 1450 AC. Mais tarde, os Dórios vindos da Península do Peloponeso invadiram Creta, estabeleceram-se nas cidades minóicas abandonadas e construíram sobre as cidades destruídas. Do fim do Período Neo-Palaciano, foram achados objetos no Egito nos reinados de Hatshepsut e Tutmés III. Os minóicos que migraram para o leste da ilha foram assimilados por volta de 1380 AC. Por volta de 1200 AC, uma nova vaga de "povos do Mar [ Egeu ]" invadiram as zonas litorais do Mediterrâneo Oriental. (Diário de Notícias de 31/12/2004, Ed. Papel, O Globo On-Line de 17/3/2007; revista Superinteressante, n.º 6, ano 4)

A última erupção lançou à atmosfera 150 milhões de toneladas de minerais e trouxe à região do Mar Egeu um inverno antecipado. (Fonte: Instituto de Pesquisa Geológica e Metalúrgica e do Centro de Pesquisa Marítima Grega) Os estudos revelaram que as folhas de oliveira petrificadas tinham em seu interior grãos de pólen e sementes que indicam que a erupção aconteceu durante a primavera. As ruínas encontradas em Akrotirio, no final do Século XIX, mostram que foi afetado algumas semanas antes da erupção por um sismo de pelo menos 7 graus da escala Richter. A grande erupção na Ilha de Santorini provocou um sismo com ondas de 20 metros de altura, que atingiram o litoral de Creta e destruiu completamente as ilhas existentes num raio de 50 a 60 Km.

No primeiro deles, chamado Timeu, conta a história de um povo - os Atlantes - que habitava além das Colunas de Hércules [ Estreito de Gibraltar ] e cujos reis haviam formado um império tão grande e maravilhoso". Segundo a Mitologia Grega, o primeiro rei de Atlântida foi Atlas, filho do deus Poséidon, irmão de Zeus, e Kleito.

No outro diálogo, chamado "Crítias" ou "A Atlântida", Platão fornece maiores detalhes sobre aquela sociedade. Conta que na montanha no centro da ilha, vivia Cleitó, uma jovem mortal por quem Poséidon se apaixonou. Para proteger sua amada, ele isolou a montanha, rodeando-a com água e terra, fossos e muros, alternadamente. Da união de Poseidon e Cleitó nasceram dez filhos homens, em cinco pares de gémeos. Poséidon dividiu então a ilha em dez partes, uma para cada um dos filhos.quando os deuses dividiram as terras do planeta entre si.

O mais velho recebeu o nome de Atlas, que em grego significa "suporte", alguns autores entendem ver em Atlas radical indo-europeu tala, "suportar" e que passou a designar a ilha inteira. Atlas é o nome da cordilheira montanhosa no NW de Marrocos.

Segundo Platão, a ilha era maior que a Líbia e a Ásia Menor juntas, pelo menos do que se conhecia desses territórios na época. Muito rica dispunha de grande quantidade de oricalco, uma espécie de liga de metal muito valioso. Lá viviam muitos animais domésticos e selvagens, incluindo elefantes, e a terra proporcionava grande quantidade de frutos. No centro da ilha, existia o Templo de Poseidon. O poder do rei sobre outro era ditado pelos decretos de Poseidon. Os habitantes praticavam ritos táureos.

Mas, com o decorrer do tempo, abandonaram o principio divino e passaram a ser dominados por humanos, tornando-se ávidos de poder. Foi então que começou a decadência. Zeus, o deus do Olimpo, decidiu tomar providências e promoveu uma reunião com todos os deuses. Nesse ponto, Platão interrompe a narrativa. Entretanto, retomando o Timeu, é possível saber como Platão imaginou o fim da ilha: "Durante um dia e uma noite horríveis, todo seu exército foi tragado de um golpe pela Terra, e ainda a Ilha de Atlântida afundou no mar e desapareceu".

Segundo Junito de Souza Brandão, um dos maiores especialistas brasileiros em mitologia, o interesse pela história de Platão atravessa milénios porque é inerente ao ser humano buscar um modelo de paraíso e "a Atlântida realmente existe submersa dentro de cada um que a busca". Para afirmar sua tese, Brandão, aponta o recurso usado por Platão de localizar a história em um tempo bastante remoto e indefinido.

Sólon Editar

Sólon (630 a 560 AC) teria ficado sabendo da existência da Atlântida em uma de suas viagens ao Egito. Sólon terá inventado o nome Atlantís [ Atlântida ] para designar a Ilha de Creta [ Caftor ]. Nessa ocasião, alguns sacerdotes lhe contaram que possuíam inscrições narrando como Atenas [ que seria os Dórios ] havia conseguido vencer os Atlantes quando esse tentou subjugar a cidade. O fato alegadamente teria ocorrido por volta de 9000 anos antes de Sólon. Na realidade, parece ter ocorrido por volta de 900 anos antes de Sólon. Porém, as primeiras culturas urbanas - cuja existência podem ser comprovada pela arqueologia - começaram a se desenvolver na Mesopotâmia por volta de 2800 AC.

Várias são as hipóteses que buscam explicar a real localização da Atlântida, e muitas delas a colocam na região do Mediterrâneo. Deve-se levar em conta que os mitos gregos de onde vêm as lendas atlânticas-foram criados por pessoas vivendo em territórios que mantinham contato muito estreito com a Creta minóica, autêntica super potência política e económica da Antiguidade. Localizada no Mar Mediterrâneo, Creta era uma ilha muito rica e muito sofisticada, a ponto de lá existirem palácios de vários pisos. Também vale mencionar que os cretenses celebravam festas táureas. (Superinteressante, n.º 6, ano 4) Como se pode ver, são várias as analogias entre civilização da Ilha de Creta e o relato mítico sobre a Atlântida.

Erupção de Santorini Editar

Mas há ainda outros fatos que também são relacionados com a ilha fantástica. Trata-se da enorme erupção vulcânica da Ilha de Tera, no Mar Egeu, ocorrida provavelmente no Século XVI AC. Tudo o que restou do vulcão e sua cratera foi um círculo de ilhas que os italianos chamam de Santorini, e Na descrição final de Platão no Timeu, quando a Atlântida já tinha sucumbido: nessa zona marítima havia sérias dificuldades para a navegação devido à "quantidade de limbo que a ilha depositou ao submergir". Ainda hoje existem perigosos recifes na costa do Norte da África. Eles indicam que antigamente ali havia uma cadeia de ilhas, das quais restaram Djerba e Kerkenna.

Em 1967, o arqueólogo grego Spyridon Marinatos descobriu os restos de uma cidade cretense da Idade do Bronze em uma dessas ilhas. A população provavelmente abandonou a ilha quando os primeiros sismos anunciaram a erupção vulcânica, e essa fuga teria dado origem à lenda da Atlântida. Para alguns pesquisadores, a hipótese da erupção do vulcão é reforçada pela leitura de textos bíblicos, como o escurecimento do céu sobre o Egito e a separação das águas do Mar de Surf [ Mar dos Juncos, no Golfo do Suez; na Bíblia, chamado Mar Vermelho ].

Além das Colunas de Hércules têm sido identificadas frequentemente com a civilização de Tartessos (a bíblica, Társis), destruída por volta de 500 AC, e que provavelmente se situava numa região nas proximidades de Cádiz [ a colónia fenícia de Gades ], na Andaluzia, no sul da Espanha. A cidade de Tartessos a futura Sevilha, e o Rio Tartessos o atual Rio Guadalquivir. Curiosamente, Platão menciona essa cidade em seu relato como Gadiros, servindo como ponto de referência para assinalar um dos extremos da Atlântida. Para muitos, há coincidências suficientes entre a civilização de Tartessos e a descrição de Platão sobre a Atlântida.

No fundo do Oceano Atlântico se estende uma larga cordilheira, cujos picos mais altos aparecem na sul superfície, desde a Islândia, no extremo norte do oceano, até Cabo Verde no Atlântico central inclinando-se nesse ponto para sudeste até no Atlântico sul. Segundo a hipótese que situa a Atlântida nessas latitudes, essas ilhas seriam o último vestígio de sua existência. Com a excepção do arquipélago das Canárias e das ilhas de Santa Helena, Ascensão e Tristão da Cunha, toda a Cordilheira Atlântica tem estado submersa por pelo menos 60 milhões de anos. Pesquisas antropológicas revelam que os antigos habitantes das Canárias - a 108 Km da costa noroeste do Norte de África - vieram das costas africanas e teriam trazido consigo uma cultura rudimentar do Período Neolítico (por volta de 5 000 AC).

Outra teoria é identificar a Atlântida como sendo a América do Sul. Quem defende essa tese é o físico peruano Enrico Mattievich, que vive há vinte anos no Brasil. Suas pesquisas sobre a Atlântida começara em 1981, quando, já um físico respeitado em seu país, visitou as ruínas arqueológicas no Palácio de Chavin de Huantar, no Peru. Numa das partes do palácio, um verdadeiro labirinto, encontra-se a figura da Medusa (personagem da mitologia grega que tinha os cabelos em forma de serpentes, e cuja cabeça foi cortada pelo herói Perseu) gravada em pedra. Esse detalhe inspirou os primeiros pensamentos de Mattievich sobre uma possível ligação entre a América do Sul e a Grécia, mais especificamente Creta.

Além disso, segundo o físico, alguns objetos encontrados no Palácio de Chavin eram feitos de uma liga de ouro e prata, que ao receber uma parte de cobre tornava-se avermelhada. Esse metal, que os incas, habitantes dessa região hoje pertencente ao Chile, chamavam de coriculque, é semelhante ao oricalco. Platão, ao referir-se a ele, dizia que tinha reflexos de fogo. Por essa razão, para Mattievich, "não faltam evidências de que os gregos alcançaram o continente americano e por centenas de anos devem ter explorado a região, rica em ouro".

Como essas viagens devem ter ocorrido entre 1 500 e 1 200 anos antes de Platão nascer, Mattievich supõe que o filósofo tenha se enganado quando localizou a existência do continente atlântico por volta de 10 000 AC. O físico acredita que Platão tenha aproveitado o cenário, no caso a Atlântico/América, para nele desenvolver o seu modelo de sociedade ideal. Para ele o que Platão chamava de submersão do continente nada mais era do que a erupção vulcânica da Ilha de Thera. Nessa catástrofe, o que restava da frota marítima de Creta acabou e com ela o império cretense colonialista dos micênios, que então habitavam aquela parte do mundo. O contato com a América foi interrompido como se o continente tivesse sido simplesmente tragado pelas águas.

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