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Portugal "dá cartas no mundo em termos de investigação científica nas fontes hidrotermais e é mesmo o nono país em termos de produtividade de artigos científicos", assegurou à Agência Lusa o diretor do Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores, Dr. Ricardo Serrão Santos. Encontra-se em estudo a proposta para alargamento da Plataforma Continental, bem como a classificação dos campos hidrotermais da Crista Média do Atlântico Norte, como Reserva da Biosfera.

Atualmente são conhecidas seis fontes hidrotermais nos mares dos Açores. ( "Lucky Strike", descoberta em 1992, "Menez Gwen", descoberta em 1994, "Rainbow", descoberta em 1997, "Saldanha", descoberta em 1998, "Ewan", descoberta em 2006, "Seapress", descoberta em 2009. Todas estas estão localizadas a sul do arquipélago e tem sido alvo de apurados estudos científicos. Em 2010, uma nova fonte hidrotermal foi descoberta próximo da Ponta da Espalamaca, na Ilha do Faial.

A fonte hidrotermal "Rainbow", situa-se a uma profundidade de 2 300 metros e a 40 milhas para além do limite da Zona Económica Exclusiva dos Açores (ZEEA), ou seja, numa área fora da jurisdição portuguesa. Com o alargamento da plataforma continental, Portugal poderá vir a ter jurisdição sobre uma área do fundo do mar até 350 milhas náuticas, mais 150 milhas do que a atual ZEE.

As fontes hidrotermais se localizam nas zonas de rifte na planície oceânica, onde se regista um vulcanismo ativo, resultado do afastamento das placas tectónicas oceânicas. São chaminés no fundo do mar, que resultam da circulação da água do mar pelas fendas e fissuras existentes na nova crusta terrestre. À medida que esta se forma nas zonas de rifte, escondem segredos importantes para a investigação científica e conhecimento de novas formas de vida. Segundo alguns especialistas, através do estudo das fontes hidrotermais poderá ser possível perceber o funcionamento das temperaturas no interior do planeta.

Na sua última edição, a revista Nature diz que uma equipa internacional de cientistas identificou magma incandescente num campo hidrotermal ao sul dos Açores. Segundo um comunicado do Centro Nacional Francês de Investigações Científicas, os geólogos suspeitavam há algum tempo da existência de câmaras magmáticas em dorsais oceânicas.

A câmara magmática foi identificada no interior de um dos mais profundos campos hidrotermais, o "Lucky Strike", campo hidrotermal ativo mais extenso do Atlântico Norte. A descuberta foi feita durante a campanha Sismomar do navio "L´Atlante", do Instituto Francês de Investigação do Mar. Os autores do estudo explicam que a câmara magmática situa-se a três quilómetros abaixo do campo hidrotermal e mede sete quilómetros de altura e quatro de largura.

Reserva Natural Subaquática Editar

O Governo Regional dos Açores pretende criar uma reserva natural subaquática, abrangendo os campos hidrotermais "Lucky Strike" e "Menez Gwen". Estes ecossistemas, onde habitam bactérias quimio-autotróficas, mexilhões gigantes (Bathymodiolus azoricos), poliquetas (polychaeta), camarões (Mirocaris fortunata), lapas (Lepetodrillus) e caranguejos (Segozancia mesatlantica), é suportado por energia geotérmica, num processo alternativo à energia solar, o que lhe confere um caráter único. Deverá ficar interdito a colheita de espécies e de intervenções no fundo do mar, sem autorização.

A proteção dos campos hidrotermais "Lucky Strike" - a 1 700 metros de profundidade, e "Menez Gwen" - a 870 metros de profundidade, é um "primeiro passo para definir limites e acautelar a proteção de espécies endémicas e habitats marinhos" aí existentes. O "Lucky Strike" é o campo hidrotermal ativo mais extenso do Atlântico Norte, situando-se à volta de um lago de lava. O campo hidrotermal "Menez Gwen" se localiza nos flancos de um vulcão recente, de 120 metros de altura e 600 metros de diâmetro.

Em 2006, foi descoberta uma fonte hidrotermal a 1 775 metros de profundidade, a sul do complexo hidrotermal "Lucky Strike", durante os trabalhos de geofísica da expedição Graviluck. Foi batizada com o nome de "Ewan", em homenagem à filha de um dos marinheiros franceses da expedição. "Trata-se de um campo hidrotermal sem chaminés, mas que tem vários mexilhões e bactérias e que, portanto, dá a ideia de ser um campo hidrotermal difuso", explicou a bióloga. Ana Colaço, bióloga do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores (DOP-UAç), considera que a descoberta desta zona hidrotermal vem demonstrar que existem montes submarinos desconhecidos no Mar dos Açores. Em 2009, foi descoberta uma nova fonte hidrotermal junto ao complexo hidrotermal "Lucky Strike", durante os trabalhos de geofísica da expedição Bathyluck 2009. Foi batizada de "Seapress", em homenagem ao trabalho de divulgação dos montes submarinos realizados por todo o mundo.

Em julho de 2010, uma fonte hidrotermal de pequena profundidade foi descoberta por um mergulhador do DOP-UAç, apenas 500 metros da costa da Ilha do Faial. Foi detetado uma zona de libertação de gases entre 30 e 40 metros de profundidade, a sul da Ponta da Espalamaca. Situa-se ao longo da crista submarina que liga a Lomba da Espalamaca aos Ilhéus da Madalena, situados junto à vizinha Ilha do Pico, a menos de cinco milhas de distância. As caraterísticas dos vapores e das bolhas de água visíveis a olho nu indicam que se possa tratar de CO2. Em outubro, foi descoberta nova fonte hidrotermal chamada de “Bubbylon”, nome inspirado na sonda acústica de nova geração usada. Foi descoberta a 500 Km a sudoeste da Ilha do Pico, é composta por oito pontos quentes, com chaminés até um metro de altura e fluídos com mais de 300ºC.

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