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O paquete britânico "SS Slavónia", transatlântico da Cunard Steamship Company, Lda (Cunard White Star Line em 1934), partiu de Nova Iorque no dia 3 de junho de 1909, transportando 225 tripulantes e 372 passageiros – dos quais 272 de segunda classe e 100 de primeira classe com destino a Trieste, cidade do nordeste da Itália, no Mar Adriático. Foi construído em 1903. Tinha 10 606 toneladas brutas, tinha 155,44 m de comprimento, 2 máquinas a vapor alimentadas por 6 caldeiras com 18 fornalhas e era propulsionado por dois hélices que lhe conferiam uma velocidade média de 13 nós.

Alguns dos passageiros de 1ª classe ao saberem que o paquete passava a 160 Km a norte da Ilha do Corvo, fizeram chegar ao comandante, o tenente naval na reserva Arthur George Dunning, um pedido escrito para que este alterasse a rota de maneira a que se pudessem observar bem as ilhas dos Açores. O comandante planeou rodear a Ilha das Flores por sul, numa rota afastada da ilha a cerca de 6 milhas náuticas para só então prosseguir no seu curso original. Mas um forte nevoeiro que se abateu sobre o navio na noite de 9 de junho. Uma forte corrente marítima desvia o navio da rota prevista, entre o meio-dia do dia 9 e as 2h00 da manhã do dia 10.

Às 2h30 da madrugada, movido a toda a força das máquinas, o "SS Slavónia" entrou proa adentro na costa do Lajedo, junto do Ilhéu da Baixa Rasa [ atualmente, o Ilhéu do Cartário ], a cerca de 1 Km da Ponta dos Fenais [ atualmente, a Ponta das Cantarinhas ]. Com a popa ainda emersa, o fogo a arder nas fornalhas das caldeiras e a luz elétrica ainda operativa, o radiotelegrafista emitiu um SOS morse desesperado. O pedido de socorro foi recebido pelo paquete alemão "Prinzess Irene" e "Batavia", da empresa rival Hamburg-Amerika Linie, que imediatamente dirigiram-se para o local.

Entretanto o navio, abalado em toda a estrutura pelo encalhe violento, a agitação do mar causou o colapso do compartimento até então estanque da ré levando a popa a mergulhar progressivamente no mar. A água chegou às caldeiras e, às 8h00 da manhã, o fogo das fornalhas apagou-se. O comandante abalado pela perda do navio que comandava interinamente, visto ter pedido a reforma em Nova Iorque alegando saúde precária, tentou por várias vezes se suicidar, no que foi impedido pelo telegrafista do navio.

Entretanto, o navio "Batavia" tinha já ancorado na vila das Lajes das Flores e preparava-se para embarcar a maioria dos passageiros para, posteriormente, os fazer desembarcar em Nápoles (Itália). As operações de desembarque se processaram ordenadamente quer através dos escaleres dos transatlânticos envolvidos, quer através de um cabo vaivém passado entre a costa e o barco. Com os passageiros e a maior parte da tripulação embarcada e a bom recato, permaneceram apenas na ilha o comandante Dunning, o imediato J. Anderson, o engenheiro Davies, o comissário W. Pitts e um carpinteiro. Até aquela altura apenas uma parte da bagagem se tinha conseguido salvar pela proa e todos os esforços do rebocador "Condor" para safar o navio foram debalde. A 16 de junho a seguradora Lloyd’s declarou a perda total do navio.

A praia era vigiada pela Guarda-fiscal visto que, nos primeiros dias do naufrágio parte da carga onde se incluía uma mala do correio com valores declarados tinha sido desviada pelos naturais da ilha (ainda hoje se encontram artigos do "SS Slavónia"). A carga de café, o cobre restante, três automóveis e os destroços do navio ainda hoje lá estão, estimando-se na altura, os prejuízos em cerca de 15 mil contos. Concluída a operação de salvamento, o comandante e o imediato partiram para a Ilha Terceira onde foram recebidos, a 30 de julho de 1909, por Vieira Mendes, agente da Cunard Line para os Açores. Já em Londres, o capitão Dunning foi levado a tribunal marítimo para apuramento das causas do naufrágio.

Consta na sentença que o encalhe e a consequente perda do navio foi provocado por erro de julgamento do seu comandante, por ter estimado uma rota tão incerta a uma velocidade tão elevada em más condições climatéricas e tão próximo de terra. E, ainda, por este ter feito confiança em demasia em duas leituras de bússola, manifestamente erradas, que admitiu não ter sido ele próprio a determinar. O tribunal, em consideração pelo seu excelente trabalho anterior, e pelos denodados esforços que promoveu para salvar vidas logo após o desastre, não lhe retirou a sua licença. Foi repreendido severamente e avisado para ser mais cauteloso, de futuro.

Já a imprensa nacional da época recriminou o governo de então por não ter procedido à finalização do farol que dominava o local do naufrágio e que apenas carecia das máquinas e da lanterna. A falta de faróis nos Açores, na altura, era um problema sério de segurança marítima. A construção do Farol da Ponta das Lajes só foi terminado em setembro de 1910. A Igreja de N. Sra. do Rosário guarda um Lampadário do Santíssimo oferecido pelo Papa Pio X (1903-1914), em agradecimento aos habitantes da vila das Lajes pelo acolhimento aos náufragos do paquete "SS Slavónia".

Bibliografia Editar

  • António Moraes, "O naufrágio do SS Slavónia", na Revista de Marinha, setembro de 1995, Lisboa

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Ligações Externas Editar

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