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A 19 de Setembro de 1939, a pequena flotilha de submarinos FdU, comandada pelo commodoro Karl Donitz, passou a designar-se de BdU. A Alemanha Nazi entrava em guerra e alguns dos seus melhores homens estavam a bordo de armas silenciosas e invisíveis que sulcavam por sob os oceanos, à procura de alvos de grande tonelagem.


A batalha pelo controlo do Atlântico iniciava-se assim com as ‘matilhas’ do Grossadmiral Dönitz a levarem a melhor durante os dois primeiros anos de guerra - contudo, o serviço a bordo dos submarinos era, no mínimo, arriscado. Dos cerca de 39 mil marinheiros que partiram a bordo dos U-boote, durante a II Guerra Mundial, 30 mil nunca voltaram.


Para melhor controlo deste ramo naval, a BdU dividiu-se em dois ramos: a BdU - Operationsabteilung era a responsável pelo comando tático dos submarinos nos teatros de guerra do Atlântico, do Mar do Norte e do Oceano Índico, enquanto que a BdU - Organisatiosabteilung treinava e geria o seu pessoal. Em Fevereiro de 1942, a BdU - Op estava localizada em Kerbnevel, próximo de Lorient, na França ocupada. Era a partir daí que se coordenavam as movimentações individuais de cada um dos submarinos alemães no ativo, onde se incluía o modelo VIIC, de nome U-581, que vogava algures entre as ilhas dos Açores.

A presença de submarinos alemães nas águas açorianas fez-se sentir nas duas Guerras Mundiais e teve a sua expressão máxima quando, a 4 de Julho de 1917, Ponta Delgada foi bombardeada por um submarino que se encontrava fundeado ao largo da cidade. Foi, no entanto, durante a II Guerra Mundial que o problema dos U-boote mais se fez sentir. Com efeito, o afastamento geográfico das ilhas fazia delas um pouso perfeito para o desencadear de emboscadas aos navios mercantes que atravessavam o Atlântico. Entre os muitos exemplos de ataques perpetrados por submarinos ao largo dos Açores contam-se o efetuado pelo U-103 contra o Hororata, de 13 945 toneladas - torpedeado ao largo das Flores - e o do Liangibby Castle, atacado pelo U-402.

O U-boot modelo VIIC

O submarino do modelo VIIC derivou do modelo VIIB, tendo basicamente o mesmo motor, tanto a nível de configuração como de potência instalada. No entanto, o modelo VIIC era ligeiramente maior e mais pesado do que o modelo anterior, o que o tornava um pouco mais lento, comparativamente. O VIIC tinha 5 tubos de lançamento de torpedos, 4 à proa e um à popa e estava armado com um pequeno canhão por sobre o convés.

Este tipo de submarino actuou a partir de 1941 em todos os teatros de guerra e dele foram produzidas 587 unidades. Deslocava um total de 1070 toneladas, medindo 67,1 metros de comprimento. Arqueava 6,2 metros e tinha um calado de 4,74 metros, para uma altura total de 9,6 metros. À superfície, o seu motor de 3200 cavalos desenvolvia uma velocidade 17 nós, enquanto que a sua velocidade em submersão não ultrapassava 7.6 nós. Transportava 113.5 toneladas de combustível e 14 torpedos ou 26 minas navais do tipo TMA. A sua tripulação podia variar entre os 44 e os 52 elementos. Em imersão, o modelo VIIC podia atingir a profundidade máxima de 220 metros.

O afundamento do U-581

O U-581 foi construído, em Hamburgo, pelos estaleiros Blohm & Voss. Lançado à água a 25 de Setembro de 1940, entrou em serviço a 31 de Julho de 1941, sob o comando do Kapitänleutnant Werner Pfeifer. O U-581 ficou até Dezembro de 1941 adstrito à 5.ª flotilha, baseada em Kiel - a partir dessa data, o submarino ficou sob as ordens da 7.ª flotilha, estacionada em Saint Nazaire.

Werner Pfeifer, ao contrário da maioria dos outros comandantes de navio, era um marinheiro experiente. Passou cerca de 8 anos na Reichsmarine e transitou para o comando do U-581, após uma breve passagem pelo U-56. O U-56 foi comandado pelo Kapitänleutnant Werner Pfeifer entre Outubro de 1940 e Abril de 1941, após o que o seu comando foi entregue ao Oberfähnrich zur See Wolfgang Römer. Este último submarino - o primeiro dos oito modelos construídos do tipo IIC - era de menor porte do que o U-581 e destinava-se a operar junto à linha de costa. Pode-se, assim, considerar que o novo comando era uma promoção, pelo menos no que tocava ao prestígio.

Werner foi o único comandante do U-581 mas, durante a sua curta existência, nem uma vítima logrou abater. A 2 de Fevereiro de 1942, ao largo da ilha do Pico, o U-581 foi avistado pela tripulação do destroyer inglês HMS Westcott, na posição aproximada de 39 N e 30 W. Perante o avistamento, a tripulação inglesa apressou-se a lançar cargas de profundidade. Estas explodiram a cerca de 20 metros de profundidade, causando ondas de choque que fraturaram o casco pressurizado do U-581. A água entrou imediatamente para o interior do navio, às golfadas.

Perante a iminência do naufrágio, a tripulação envergou os seus aparelhos respiratórios de emergência, os Drager Tauchretter. Estes aparelhos consistiam num colete insuflável - que continha um cilindro de oxigénio e um cartucho absorvente de dióxido de carbono - o que permitia a sobrevivência do marinheiro até este alcançar a superfície. Isto, claro, desde que conseguisse sair do interior do navio e desde que a profundidade não fosse superior aos 30 metros, o que nem sempre era o caso.

No caso do U-581, o naufrágio não sucedeu imediatamente o que levou a que apenas 4 homens fossem dados como desaparecidos. O comandante Pfeifer conseguiu nadar até à costa do Guindaste, donde depois foi levado para a Horta. Sobre a sua estadia nos Açores muito pouco se sabe ainda.

Coincidência ou não, é a partir de 1942 que o Governo de Salazar consentiu no estabelecimento dos Aliados nas ilhas dos Açores. Assim, a 8 de Outubro de 1943 desembarcaram em Angra as tropas inglesas do 247.º Grupo da RAF. Graças a elas, começaram a operar das Lajes, a partir do final desse mês, trinta B-17 e nove Hudsons, tendo como missão quase exclusiva a luta anti-submarina. Até ao final da guerra, estes aviões e os outros que se lhe seguiram originaram 19 ataques e 7 afundamentos confirmados de submarinos alemães.

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