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A Vila do Corvo, na ilha do mesmo nome, é sede do município mais pequeno dos Açores, com 425 habitantes (em 2001). A superfície do município corresponde a toda a superfície da Ilha do Corvo.

O príncipe Regente D. Pedro IV, em 21 de junho de 1832, elevou a povoação de N. Sra. dos Milagres a categoria de vila e sede de concelho. O decreto manda que a nova vila se chama-se "Vila do Corvo", não "Vila Nova do Corvo" como por vezes aparece escrito. A única povoação da ilha é um aglomerado de casas baixas com ruas estreitas e tortuosas que sobem as encostas, localmente conhecidas por canadas. Antes disso, estava sob jurisdição de Santa Cruz das Flores, sendo uma das freguesias daquele município.

Sofreu devido à emigração, principalmente para os EUA e Canadá. Em 28 de setembro de 1983, foi inaugurado o Aeródromo do Corvo, com uma pista de 800 metros. As ligações aéreas entre o Corvo, Flores, Terceira (Lajes) e Horta, são asseguradas pela SATA Air Açores.

Durante o inverno, as ligações marítimas, apesar de regulares, são fortemente condicionadas pelo estado do mar e pelo vento já que o Porto da Casa, o pequeno cais que serve a ilha, não fornece abrigo que permita a operação com tempo adverso. No entanto, durante o verão, chega a haver várias ligações por dia entre o Corvo e Santa Cruz das Flores em cerca de 45 minutos.

Sua História Editar

Nos mapas genoveses do Século XIV, nomeadamente no Atlas Mediceu de 1351, é mencionado a Insula Corvi Marini (Ilha dos Corvos Marinhos) entre as sete ilhas que compunham o arquipélago, mas é improvável que esta designação se refira especificamente a esta ilha, apesar de ter sido a origem do nome. É provável ser uma designação para ambas as ilhas do Grupo Ocidental do Arquipélago dos Açores, como parece ser o caso no chamado Mapa Catalão de 1375.

Foi Diogo de Teive quem achou as ilhas do Grupo Ocidental, no regresso de sua 2.ª viagem de exploração, em 1452. A sua designação henriquina é "Ilha de Santa Iria", mas foi também chamada de Ilhéu das Flores, e ainda de Ilha do Marco, nome que persistiu durante alguns séculos em razão desta ilha servir como referência geográfica para os marinheiros. A 20 de janeiro de 1453, data em que o Rei D. Afonso V faz doação das ilhas a seu tio D. Afonso, Duque de Barcelos, que envia três dezenas de colonos sob as ordens de Antão Vaz de Azevedo.

Em 1475, Fernão Teles de Meneses, Capitão-do-Donatário das ilhas por negócio com João de Teive, filho de Diogo de Teive. Coma morte acidental de Fernão Teles, as ilhas das Flores e do Corvo são entregues pela viúva de Fernão Teles ao flamengo Guilherme da Silveira para, em seu nome, governe e dirija o povoamento das ilhas, pagando-lhe apenas direitos de Capitã-do-Donatário. Após diversas tentativas fustradas de povoamento, em 1504, a Coroa nomeou para Capitão-do-Donatário das ilhas, João da Fonseca.

A 12 de novembro de 1548, Gonçalo de Sousa, 3.º Capitão-do-Donatário das Flores e do Corvo, é autorizado a mandar para ilha escravos (mulatos, provavelmente oriundos da Ilha de Santo Antão, Arquipélago de Cabo Verde) de sua confiança como agricultores e criadores de gado. Em 1570, foi construída a primitiva igreja.

Segundo Frei Diogo das Chagas, o povoamento inicial da ilha começou com o envio de uma expedição de 30 pessoas, chefiados pelo terceirense Antão Vaz de Azevedo, mas a expedição não terá tido grande sucesso. Sabe-se, contudo, que por volta de 1580, colonos da Ilha das Flores se fixam na ilha, a qual passa a partir de então a ser permanentemente habitada. Os corvinos desde então levaram uma existência pacata em quase isolamento, dedicando-se à agricultura, à pastorícia e a pesca. Sofreu diversas incursões de corsários e piratas, mas os corvinos souberam impor-se, muitas vezes aliando-se aos incursores e participando ativamente na sua atividade. Em troca de proteção e dinheiro, a ilha fornecia água, alimentos e homens, ao mesmo tempo que permitia tratar os enfermos e fazer reparações nos navios.

Em 1587, o Corvo foi saqueado e suas casas queimadas pelos corsários ingleses, que haviam atacado as Lajes das Flores. No ano de 1632, a ilha sofreu duas tentativas de desembarque de piratas argelinos (território então parte do Império Otomano), os famosos piratas da Barbária, no cais Porto da Casa. Duzentos corvinos usaram tudo ao seu dispor para repelir os atacantes que acabaram por desistir com baixas. A imagem de N. Sra. do Rosário foi colocada na Canada da Rocha e daí, diz a lenda que ela protegeu a população das balas disparadas.

Em 1593, a Coroa nomeou para Capitão-do-Donatário das ilhas, D. Francisco de Mascarenhas, Conde de Santa Cruz. O segundo pároco da ilha, foi o florentino Inácio Coelho, irmão do cronista Frei Diogo das Chagas. Foi ele quem conseguiu que D. Martinho de Mascarenhas, Capitão-do-donatário, assumisse o sustento do pároco, bem como a ele se deve a presumível redação e divulgação dos fatos e atribuição à Virgem Maria do milagre da vitória dos corvinos sobre os piratas. A partir de então, a imagem passou a ser chamada de N. Sra. dos Milagres. A paróquia do Corvo foi criada em 1674. Antes dessa data, era visitada anualmente por um padre de Santa Cruz das Flores. Foi primeiro pároco da ilha, o faialense Bartolomeu Tristão.

No Século XVIII, com a chegada dos barcos baleeiros norte-americanos à Ilha das Flores para recrutar tripulação e arpoadores, iniciou-se uma estreita relação com os EUA, que passou desde então a ser o destino de eleição para a emigração corvina e de onde chegaram praticamente todas as novidades à ilha, a qual manteve durante muito tempo uma relação mais estreita com Boston do que com Lisboa. A emigração clandestina era uma constante da vida da ilha, apesar dos esforços repressivos das autoridades portuguesas, preocupadas com a fuga ao serviço militar obrigatório e com a perda de mão-de-obra.

Os corvinos tinham de pagar tributo aos seus capitães-do-donatário e, a partir de 1759, com morte a 8.º Duque de Aveiro e Conde de Santa Cruz, à Coroa. Foi Mouzinho da Silveira, impressionado pela quase escravidão em que vivia os corvinos, obrigado a comer pão de junça para poder pagar o tributo a que se encontrava obrigado, quem propôs a redução para metade do pagamento em trigo e anulou o pagamento em dinheiro, fazendo assim a felicidade dos corvinos.

Foi Manuel Tomás de Avelar, o chefe da delegação de corvinos que foi a Angra do Heroísmo fazer a petição, causando pela sua sabedoria e maneiras o espanto da liderança liberal da Regência de Angra. A impressão foi tal que Mouzinho da Silveira, hoje lembrado como patrono da Escola Básica Integrada do Corvo, anos depois escreveria no seu testamento que gostaria de estar sepultado na ilha, cercado de gente que na minha vida se atreveu a ser agradecidas. O Decreto de 14 de maio de 1832, assinado em Ponta Delgada por D. Pedro IV, reduziu a metade - para 20 moios - o pagamento em trigo que os corvinos faziam a Pedro José Caupers, o então Donatário, eliminando o pagamento em dinheiro de 80 mil réis. Em contrapartida, a Coroa assume indemnização ao Donatário. O tributo apenas seria completamente abolido em 1835.

O príncipe Regente D. Pedro IV, em 21 de junho de 1832, elevou a povoação de N. Sra. dos Milagres a categoria de vila e sede de concelho. O decreto manda que a nova vila se chame Vila do Corvo, e não "Vila Nova" como às vezes aparece escrito. Antes disso, esteve sob jurisdição de Santa Cruz das Flores, sendo uma das freguesias daquele município.

Em 1886, o Governador Civil do ex-Distrito da Horta, Manuel Francisco de Medeiros, quando visitou a Vila do Corvo indagou quais eram as suas aspirações. Foi-lhe pedido apenas uma Bandeira Nacional para saudar os barcos que por aqui passavam. Durante as suas expedições oceanográficas no Atlântico Norte, o Príncipe Alberto I do Mónaco visitou demoradamente a ilha, recolhendo imagens fotográficas de extraordinário interesse, hoje no Museu Oceanográfico do Mónaco e apenas parcialmente publicadas.

A ilha foi também visitada em 1924 pelo escritor português Raúl Brandão, que com a sua obra Ilhas Desconhecidas muito contribuiu para a mistificação das vivências dos habitantes do Corvo, criando a imagem de uma idílica república comunitária que persistiu até quase aos nossos dias. A partir do início do Século XIX assiste-se ao crescimento constante da emigração para os EUA e Canadá, com interregno entre 1925 e 1955, num processo que se prolongou até meados da década de 1980.

Na década de 1960, a população da ilha viveu em constante oposição ao regime florestal imposto sobre o baldio da ilha, regime esse que levou ao fim da produção de lã, fazendo desaparecer totalmente as ovelhas da ilha, e com elas as tradições ligadas à tosquia, cardagem, fiação e tratamento das lãs, antes aspectos centrais da cultura corvina.

Com a inauguração do tráfego aéreo comercial no Aeroporto das Flores, em 27 de abril de 1972, os corvinos começaram a sentir-se menos isolados do resto do mundo. Em 28 de setembro de 1983, foi inaugurado o Aeródromo do Corvo, com uma pista de 800 metros. De início, as ligações aéreas entre a Ilha do Corvo e a Ilha Terceira (Lajes) eram asseguradas por um avião C-212 Aviocar da Força Aérea Portuguesa (FAP). Em 1991, é substituído pelo pequeno avião Dornier 228-212 da SATA Air Açores de 18 lugares, fazendo as ligações com aeroportos das Flores, Horta e Terceira (Lajes). Atualmente, foi substituído pelo avião Dash Q-200. Faz escala na ilha 3 vezes por semana - na 2ª, 4ª e 6ª feiras. Será em breve. O pequeno barco "Ariel" da Atlânticoline assegura as ligações marítimas de passageiros entre a ilha das Flores e o Corvo.

Categora:Munícipios Categora:Vilas

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